segunda-feira, março 21, 2005

É do dia (III)

O Sono dos Filhos


Contra a palma das mãos
sua respiração traz-nos
o infinito lume
de um sol lembrado
na memória dos olhos.

Banho-os nocturnamente
com lágrimas de gelo
e eles riem revolvem-se
no doce útero do sono.

Nesse calor original
minhas desastradas mãos sabem
que trepida como nunca
o coração do mundo.

[Heliodoro Baptista, Por Cima de Toda a Folha]