segunda-feira, março 28, 2005

O Kim (assim mesmo, à Kypling) saúda o neo-Machamba, recordando uma velha provocação [tão velha que já nem sei quem lançou a primeira pedra, o que para o caso também não interessa]: avançar com um blog colectivo sobre os Olivais. Um mundo, o nosso bairro. Ou, mais certeiramente, um Alcácer-Quibir? Gente provocada e provocável não falta, aqui no bloguismo. Que eu conheça estão o Apenas Mais Um, o Oceanus Occidentalis, o Povo de Bahá/Antigamente, tudo dos Olivais-Sul, talvez haja mais, até lá do Norte.

Assim, a ver se agito as mentes memorialistas, aqui deixo um texto antigo que vem dos fundos da arca Ma-schamba. É um bocado da minha juventude (e não só) lá nos bairros, nos tempos do entre o 21 e o recolha a Cabo Ruivo.

E a seguir, alguém se chega à frente?



OLIVAIS

Em memória do Zé Monteiro, Senhor e Iconoclasta

O primeiro tipo que vi a xutar foi o J. Keke, para aí há uns 20 anos, estávamos todos na gruta do Venâncio. O Keke apareceu a pedir para dar lá o caldo e entrámos todos, a pensar que se ia fumar um charro. Ele não gostou, e eu também não que seringas nunca foi comigo, mas ainda precisou de ajuda para o garrote, hesitámos, ficámo-nos e foi a Nuxa que os teve para se chegar à frente. O Keke era da geração mais velha, junkie de sapato italiano, bem penteado, andar balançante e inchado, olho arqueado, tipo bonitão piroso. Depois a vida foi-lhe piorando, baldou-se para o estrangeiro constava que em curas, e um dia morreu em Itália de um tiro na cabeça. É certo que muitos anos depois, eu já trintão no café do Pinto, e ele entra-me, igual a sempre, todo atilado a pedir uma bica. E lá ficou, sorte dele. Outros morreram assim, também ao Persio lho aconteceu lá pelas vindimas estrangeiras, último refúgio de uns quantos, e estou eu a almoçar numa tasca com o coronel e o gajo a entrar a dizer que não está nada morto, e se pode almoçar connosco. Mas não estava lá muito bem, e afinal sempre se morreu passados uns tempos. E o Zombie, verdadeira série B, um tipo altíssimo e magérrimo, todo baço do cinzento que era, assim alcunhado porque quando morreu de Od decidiu-se a acordar na morgue onde, contavam, causou um grande impressão, e até susto, do feio que era.

Nos xutos perdeu-se muita gente, alguns resistiram anos a fio e depois limparam-se, até era engraçado nas imperiais da esplanada e eles, sumol de ananás, limpinhos, a contarem das dores das curas. Outros foram morrendo, de amigos amigos assim só perdi o Zé M. que está aí na epígrafe, um Senhor que me faz saudades, Átila da retórica a erva não nascia sob as suas palavras. Outros perdi de outra maneira, estão vivos mas o seu desatino separou-nos, que se aprende a não ter paciência para os agarrados, alapam-se mesmo, só tantos anos depois percebi que quais matacanhas, que é bicho que nem conhecia à altura.

Quem cresceu nos Olivais sabe bem o que era a mistura de gentes, que era o que tinha a piada, foi o que retirámos do Salazar, que foi quem inventou o bairro, uma sopa de classes queria ele, a ver se melhorava o tempero, o dele claro está. Já aos 9 anos se saía da carrinha do Valsassina para a pedrada com os ciganos e havia quem logo fizesse alianças de classe com o Chica e o Pimenta, que penso perdurarem até hoje, caso seja necessário. Quando chegados a crescidos isso dá-nos um grande treino na vida, apesar das surpresas! E aprendemos que as drogas são como o futebol e a caça, os índios vêm de todas os estratos.

Lá pelos finais do liceu, quando tocou a rebate por causa das médias, havia imensa gente junta, nem se sabia bem como, que aquilo éramos aos magotes, saímos de todos os recantos. E também havia muito produto, as mercearias não faltavam, lá no Gordo, nos Candeeiros, no Brisa, nos Viveiros, no Ferrador. As mais pesadas diziam que era no Cambodja e no Modesto mas aí só ia quem conhecia e os tinha no sítio. E já nem falo do Comboio Parado e do Vietname, ambos lá para a Cidade da Beira, mas a estas últimas nunca me cheguei, que essa era zona nada segura para nós, nunca percebi bem porquê, falta dos contactos certos, penso eu mas só hoje.

Da geração mais velha alguns já andavam aflitos com a heroína, o cavalo como dizia a xunga dos dealers. O ácido é que era coisa de filme, sabia-se que existia mas não era usual, e o que aparecia era só estricnina. Mais tarde fomos ao Burroughs e afins saber como aquilo funcionava. Fomos mesmo uma geração pós-acido e pré-pastilhas, essas que lá para os 90s puseram Lisboa aos pulos de madrugada com músicas que me tornaram avô, que aquilo era só barulho, e ainda para mais usada por gentes que só bebiam água, que desperdício de noites.

No início dos 80s foi a era dos drunfos, o ácido dos pobres. Noites quentes pelos cafés com dezenas de tipos meio aos gritos meio aos grunhidos, um bazar de comprimidos onde o rei era o Espanhol, um celta sem dentes, histriónico. Aí o pessoal graduava-se, o máximo era quem arranjava as panteras cor-de-rosa, o grande somio, coisa de tráfico, mas os mais bimbos ficavam-se nas farmácias das mãezinhas, as cujas iam esquecendo os maridos ausentes ou arredios à pala dos roips ou mandraxs, uma porra porque ainda que nos dessem ganza tornavam-nos amnésicos. E era assim, erravam grupos anestesiados, nada para lembrar no dia seguinte, excepto pelo sóbrio que ia para tomar conta, quando o havia disponível. Acho que isso decaíu quando o Chico dos Drunfos se deixou morrer atropelado em plena Av. de Roma. No meio disto tudo usavam-se speeds, mais legítimos porque até vendidos nas farmácias. Os mais velhos falavam, saudosos, do lipoperdur, uma verdadeira lenda ainda hoje lembrada com frémitos, que lhes tinha permitido terminar o liceu no meio da festa. Mas tinha sido retirado do mercado, fascistas, pelo que rapaziada estudava e curtia à base de comprimidos para emagrecer, uma cena um bocado envergonhada, sem grande onda, e que cobrava o acelerar com ressacas chatas que não havia modo de enganar, era só aguentar o acordado até passarem.

Mas o que reinava era o haxe, era a base moral daquilo tudo. Barato era, mas raro havia dinheiro para comprar as barras de gramas, pelo que ele nos chegava aos pintores, o vulgo de então para cem escudos cujas notas já nem existem. Era coisa de consumo constante, logo de manhãzinha um assobio lá em baixo na rua, às vezes ainda na cama era o aviso para sair a correr, o apelo à vaquinha que aquilo era coisa para fazer de preferência em grupo, se bem que a prática da marroquina, a bem democrática passa única inchada até rebentar, nunca fosse cumprida, para desespero de quem ficava para o fim, ali a remoer-se com as cinzas alheias. É certo que o brunhol era quase sempre muito misturado, em especial com aquelas cenas do shampoo, mas ia dando para não nos ficarmos atravessados. Pela diferença ficou célebre uma carga que deu à Costa, largada por qualquer traficante em apuros e prontamente recuperada ao circuito, tão bom era que anos depois ainda se dizia que o produto em causa "é da costa", como selo da qualidade.

Já bem rara era a erva, coisa de retornado, mítica mesmo, uns tipos mais estranhos esses gajos de África, quase todos ali pela Portela, vá lá que faziam imensas festas, curtiam um bocado diferente do que nós, que nos chegávamos a eles e a elas, sempre na cola. Mas quando ela aparecia era altura de festa, levada aos sacos de plástico até de supermercado para os grandes momentos, esses quase sempre lá pelo velho Dramático em cascais. Ou mesmo quando o Woodstock fez dez anos, a malta à meia-noite no cinema e gajos que até as mantas traziam, e vá lá que ninguém se despia na sala.

Com isto tudo também na nossa geração o pó se foi espalhando. Mas já havia várias versões, diferentes andamentos. Quem começava nas chinesas, a fumá-lo, levava logo na cabeça, que aquilo agarrava, que da chinesa ao xuto era um sopro, e eles a dizerem que não, que se aguentavam, mas todos sabíamos que depois era difícil sair. Certo que o Lou Reed já não xutava, que o Richards e o gémeo mudavam de sangue de seis em seis meses, dizia a Rock & Folk, mas aqueles heróis todos, especialmente os da guitarra fálica tinham-se passado. E até os mais velhos, Bird e Coltrane. Era só arrogância, "Ya, eu controlo", mas se tanto o Hendrix como o vizinho do lado tinham marchado… e se havia gajos em muito mau estado ali à mão de semear! Neles era muito um puxar do cabelo para trás, um que se foda que o rock n’roll veio para ficar, rust never sleeps … Mas é certo que ninguém chegou lá distraído, sem o pessoal a encher-lhe a cabeça. Mesmo enquanto se enrolava um charro, que o tempo dos cachimbos da prata daqueles SG todos tinha passado à história, houve conferências sobre a matéria, posto que aquilo não era saudável. Até porque a imortalidade tinha sido questionada de modo radical, o próprio Marley se tinha ido pelo pulmão, de tanto cantar pela Kaya.

Falando de mim, do que me lembro não é só do ter a minha vida para viver, futuro saudável e feliz, e trá-lá-lá. Mas também da onda má do pó cortado, cheio de venenos misturados que nem sempre eram só Royal de Morango, do medo dos badagaios que davam aos junkies, de tantas histórias más de ods ouvidas contar, até da rapaziada conhecida. E lembro-me muito bem de não ser maluco para arriscar uma cena dessas, e comigo estava muito boa gente. Depois um dia lá fui para doutor, quis-me intelectual, levei um ano que nem a Bola comprava, aquela que ainda era a do tempo bom, o do Pai Pinhão, não era como é agora, e foi um tempo em que era só ciência, um mimo, nem hoje sei o que me deu. E com isto deixei de fumar aquelas merdas todas, que me punham lúcido, a perceber os estrilhos todos que a vida é. Como era coisa honesta, decente e culta, bebia quando tinha que ser, e tinha que ser muitas vezes, que a angústia continuava. Acho que continuou até me encher de amor pela Inês, e isso ainda levou uns anos.

Mas o festival continuou, aliás está aí. Agora, se volto ao bairro ainda encontro personagens dos velhos tempos, uma verdadeira arqueologia. Alguns regressaram, cerâmicas frágeis a colarem-se os cacos. Outros nem tanto. Partilham-se as mesas, algumas bebidas e, se afloradas as memórias, o saber de que sabiam de início. É certo que a dor só se sabe depois de sentida, mas sabiam que ia doer. Talvez não tanto. Mas quem foi, foi…

Envelheço, mas quando chego a um sítio estranho continuo a perceber a onda reinante. E em Lisboa, que hoje me é estranha, entram-me pelos olhos dentro as linhas de coca nos narizes alheios. Mas isso são mais os tipos da minha idade, o kitch do cartão de crédito, a cagança enrugada de quem não quer ser velho, nem que seja à força. Mas nem sei bem que drogas os putos consomem, essas sintéticas, nem os nomes lhes conheço. E se ainda há aquilo a que nós chamávamos, tontos, de contra-cultura. E se houver, seja lá o que isso for, se funciona à base de produto como nos tempos dos Freak Brothers.

20 Comments:

Blogger Pitucha said...

Coincidências! A partir da Rua Cidade da Beira cruzei os Olivais para a Fernando Pessoas, para as compras no Ferrador, para os passeios no vale do silêncio, para o liceu D. Dinis.
Sabia os truques todos e tinha as alianças certas: fui feliz nos Olivais.

9:35 da manhã  
Blogger Madalena said...

Essas vítimas são filhos de pais que conheceram o pior sofrimento do mundo. Conheci alguns pais. É a pior má-sorte de alguém. Não há como ajudar. Não há como ignorar.
Um abraço, JPT.

10:26 da manhã  
Blogger Marco said...

Os Olivais hoje são um local mais sossegado do que eram no nosso tempo. Ainda há problemas aqui e ali, mas nada que se compare. A malta da nossa geração que arranjava problemas desapareceu (morreram, estão presos ou foram morar para outro lado); ficaram lá os pais e, em alguns casos, os filhos. Hoje vê-se muito cabelo grisalho naquelas ruas.

A Fernando Pessoa que tinha 2400 alunos em 1974, tem hoje 500 ou 600. No meus tempos de cachopo, lá tive os meus problemas: roubavam-me o dinheiro para um bolo (quando o tinha!) levava umas estaladas.

Não sei se podia contribuir muito para um blog colectivo sobre os Olivais. Podia escrever sobre o Tunn, as aulas Kung-Fu na Piscina, e pouco mais.

Uma imagem que ficou daqueles tempos, é a zaragata entre mulheres das tijoleiras. Era sempre uma peixeirada das boas. Vinha sempre gente à janela ver o que se passava. Tenho visto menos cenas dessas (se calhar ando menos atento).

1:26 da tarde  
Anonymous nropa said...

Então a Pitucha é dos Olivais e não dizia nada? Uma olivalense verdadeira? sim senhora!!! Mais um teclado para o blog.
Marco, não me digas que não tens nada a dizer, só essa ameaça da gritaria na tijoleira já desperta a curiosidade. E quando pequenino batiam-te, era...? Kéke, é o que eras, está visto, ó xaval...
então vá-se a isso

3:51 da tarde  
Blogger Marco said...

nropa,
É mais ou menos isso... :-)

11:21 da tarde  
Anonymous MB said...

Estou ansioso porese blogg colectivo.
Não sou blogger, apenas comentador dos mesmos. Será esse o meu contributo.

10:53 da manhã  
Blogger Luna said...

Na parte que me toca, sem ser olivalense, até já reuni uns quantos ao redor de umas Jolas para ver se alinhavam...blogs até já existem é só mesmo decidirem-se por colaborar(ainda por cima todos escrevem bem!!!)

3:50 da tarde  
Blogger Eufigénio said...

Toc-toc ... então é aqui que anda a gente da minha criação? É mandar para a frente, a rir e matar saudades.

MB, deixa-te lá de timidezes pá. Um blog é para isso mesmo para comentar. O primeiro começa em cima, depois os outros continuam. Há algo de mais nisso?

Marco, foi por isso que "fugiste" para o Dª Leonor, lá para o pé dos queques da Av. Roma não é? ... como? como é que eu sei? ... glupsss
(grande abraço ó ex-vizinho e ex-colega)

11:08 da tarde  
Blogger jpt said...

+1, abre o estaminé, o MB começa e vamos por aí acima. Vá, tu, sensível, até podes decorar aquilo como só tu sabes. Até podes postar sobre a Fulacunda, logo no início.
Eu cá de longe posto sobre as hortas e o intercomunicador da polícia. O Marco é keke, está visto. Mas pode postar sobre pullovers Sidney, decerto

1:07 da manhã  
Blogger Marco said...

eufigénio,
Eu fui cair no D. Leonor, tal como uns anos mais tarde caí no Técnico. :-)

Estou a ver que este projecto de blog colectivo sobre os Olivais começa bem: já tou a levar porrada de todos os lados!
:-)))))

10:32 da manhã  
Blogger Eufigénio said...

JPT,
continuando de lá de baixo. Quer-se terreno neutro. Quem marca vai à baliza e é roda-bota-fora para um gajo ir fumando a cigarrada enquanto descansa? sem capitães de equipa? Vai lá pensando num nome para o Blog que a gente abre-o e eu pincelo-o com a minha "sensibilidade" e ponho até uma jarra ao estilo "fulacunda". E depois a abrir vem o MB com a crónica semanal do "largo das mamas". Propunha contudo que houvesse uma excepção: sem Técnico, Marco, que isto vai querer-se blog nostálgico mas alegre, ok?

7:16 da tarde  
Blogger Marco said...

Eu chamaria a esse blog apenas Olivais. Notei que o dominio olivais.blogspot.com está reservado.

Eu não acho que deva ser apenas nostálgico. Hoje há ali coisas que merecem ser conhecidas (e são diferentes do que eram há 25 anos atrás).

10:53 da manhã  
Anonymous Raquel said...

Pois é eu também cresci nos Olivais e por sinal na rua Cidade da Beira, que funcionava, para mim, como o ponto mais seguro dos Olivais. Andava-se a pé..pelo vale do silêncio, até ao ferrador, até à Fernando Pessoa (que depois mudou de nome) e mesmo até ao D.Dinis (autocarros só haviam dois).Não sei se podemos falar em companhias certas ou erradas....acho que é muito mais complicado do que isso. A sensação que me dá é que andámos todos numa roda da "lotaria".E uns safaram-se...

2:58 da manhã  
Anonymous Raquel said...

Pois é eu também cresci nos Olivais e por sinal na rua Cidade da Beira, que funcionava, para mim, como o ponto mais seguro dos Olivais. Andava-se a pé..pelo vale do silêncio, até ao ferrador, até à Fernando Pessoa (que depois mudou de nome) e mesmo até ao D.Dinis (autocarros só haviam dois).Não sei se podemos falar em companhias certas ou erradas....acho que é muito mais complicado do que isso. A sensação que me dá é que andámos todos numa roda da "lotaria".E uns safaram-se...

2:58 da manhã  
Anonymous Raquel said...

Pois é eu também cresci nos Olivais e por sinal na rua Cidade da Beira, que funcionava, para mim, como o ponto mais seguro dos Olivais. Andava-se a pé..pelo vale do silêncio, até ao ferrador, até à Fernando Pessoa (que depois mudou de nome) e mesmo até ao D.Dinis (autocarros só haviam dois).Não sei se podemos falar em companhias certas ou erradas....acho que é muito mais complicado do que isso. A sensação que me dá é que andámos todos numa roda da "lotaria".E uns safaram-se...

2:58 da manhã  
Anonymous Raquel said...

Pois é eu também cresci nos Olivais e por sinal na rua Cidade da Beira, que funcionava, para mim, como o ponto mais seguro dos Olivais. Andava-se a pé..pelo vale do silêncio, até ao ferrador, até à Fernando Pessoa (que depois mudou de nome) e mesmo até ao D.Dinis (autocarros só haviam dois).Não sei se podemos falar em companhias certas ou erradas....acho que é muito mais complicado do que isso. A sensação que me dá é que andámos todos numa roda da "lotaria".E uns safaram-se...

2:58 da manhã  
Anonymous Raquel said...

Pois é eu também cresci nos Olivais e por sinal na rua Cidade da Beira, que funcionava, para mim, como o ponto mais seguro dos Olivais. Andava-se a pé..pelo vale do silêncio, até ao ferrador, até à Fernando Pessoa (que depois mudou de nome) e mesmo até ao D.Dinis (autocarros só haviam dois).Não sei se podemos falar em companhias certas ou erradas....acho que é muito mais complicado do que isso. A sensação que me dá é que andámos todos numa roda da "lotaria".E uns safaram-se...

2:58 da manhã  
Anonymous Raquel said...

Pois é eu também cresci nos Olivais e por sinal na rua Cidade da Beira, que funcionava, para mim, como o ponto mais seguro dos Olivais. Andava-se a pé..pelo vale do silêncio, até ao ferrador, até à Fernando Pessoa (que depois mudou de nome) e mesmo até ao D.Dinis (autocarros só haviam dois).Não sei se podemos falar em companhias certas ou erradas....acho que é muito mais complicado do que isso. A sensação que me dá é que andámos todos numa roda da "lotaria".E uns safaram-se...

2:58 da manhã  
Blogger hitchhiker said...

engraçado... reconheço perfeitamente essa onda, embora vista de longe, pelos olhos de quem cresceu nos anos 90, quando muitos tentavam arrepiar caminho

hoje está tudo diferente, já não oiço ninguém dizer "vou a Lisboa" no 81, tenho saudades de morte desses autocarros de dois andares, os shoppings dominam... enfim, reconfigurações da alma

mas a ideia do blog é realmente interessante... directamente para os bookmarks

4:45 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

What a great site » » »

12:23 da tarde  

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