quarta-feira, março 16, 2005

"Raças" e Racismo. "Mulheres" e Géneros

[Via Forum Comunitário]

1. Cores.

Um excelente artigo de R. Pena Pires no jornal Público. A lembrar-me uma apressada troca de impressões, ocorrida no mês passado, com o Miguel S. do Sem Destino, acerca da racialização do discurso. Que aqui vigora e, pelos vistos, também no meu rincão.

Acho fundamental citar Pena Pires (e ensiná-lo nas escolas , e esta é ironia apenas ligeira. Ainda haverá livro de português no liceu? Daqueles com trechos chatos de autores do antanho? É colocá-lo.): "Para Ká, o problema do racismo resulta do desigual tratamento das diferentes raças. Errado! Só há raças, como representações colectivas e entidades culturais, porque há racismo. Isto é, porque se define alguém como outro em função da cor da pele, hierarquizando-se, num segundo passo, os "nós" e os "outros" assim definidos. A pior resposta ao racismo é pois aceitar a categoria de raça como classificação social pertinente e natural. A boa resposta é insistir na universalidade do género humano e combater todas as formas de discriminação em função da cor da pele...

Insistir na necessidade de recrutar para a participação e liderança política cidadãos de todas as cores de pele é fundamental, como fundamental é aproveitar todas as oportunidades para criar bons exemplos públicos desta orientação. E, convenhamos, tem havido um défice real de actuações nesse sentido, em particular por parte dos principais partidos políticos". [foi o que na altura eu quis sublinhar] "Mas se, com a pressa, criarmos quotas raciais, teremos capitulado perante o racismo em vez de dar passos decisivos para a sua superação, pois teremos introduzido na lei critérios raciais. (De passagem, um pequeno reparo: a pior forma de concretizar oportunidades de participação de portugueses negros no sistema político é começar por acantonar essa participação em lugares de combate ao racismo e à exclusão.)"
.

Em suma Miguel, , aproveito isto para (me) reafirmar - as quotas nada resolvem e, neste caso, até pioram pois reificam. E urge combater o discurso racialista: aqui ambíguo, desvalorizador do outro (Em Cor) em determinados contextos socioeconómicos, e valorizador do outro (Em Cor) noutros contextos socioeconómicos (do "Brrranco" desprezível ao "Patrão" benfazejo). No meu país também presente, sempre desvalorizador do outro (Em Cor) ou quase sempre desvalorizador do outro (Em Dinheiro) - como o prova o estudo sobre xenofobia hoje anunciado na imprensa portuguesa (onde estás Gilberto Freyre sublido? onde estás Lusofonia benfazeja?) - uma sociedade igualitária, Miguel? Tendencialmente, tendencialmente...

2. Genitais

O WR vai batendo nas críticas feitas ao novo governo português por não ter mulheres. Também aqui as cotas/quotas me repugnam - mas acho interessante as mulheres ministras serem da Cultura e Educação. Só falta a Saúde para que às mulheres no poder estejam atribuídos os sectores dos cuidados maternos, enfermagem e lavores (bordados, culinária requintada, piano à ceia) - resquícios de um inconsciente colectivo burguês oitocentista?

Mas concordo, não deve haver mulheres no poder só porque são mulheres. Cotas nunca, Abaixo as Quotas!! - ainda que reificar géneros seja aparentemente mais natural do que reificar raças, isso não é verdade.

Mas permito-me comparar (que fazer?, deformação profissional). Em Moçambique, onde as condições da domesticidade são decerto diferentes dos que as em Portugal, e onde a falofilia (ou mesmo falocracia) será aparentemente mais dominante, o novo governo integra não só uma Primeira-Ministra como muitas ministras e algumas vice-ministras - e não por cotas/quotas, mas sim por uma ideologia integrativa, o omnipresente "género". Nem tudo será equitativo, mas isto é obviamente o resultado de décadas de afirmação dessa preocupação social - que tem efeitos sociais. Mesmo que não idílicos - será necessário conhecer em detalhe a realidade moçambicana, e suas concepções de poder, para perceber o efeito extraordinário no seio das famílias da presença constante e muito visível de um cada vez maior número de mulheres na hierarquia política?

Em suma, aí ó desenvolvidos, cotas/quotas homens/mulheres não? Mas olhando aqui para o espelho do sul não dá para perceber que falta alguma coisa?

5 Comments:

Blogger Miguel S. said...

Muito rapidamente jpt deixa-me dizer-te que já tinha saudades das tuas prosas. Finalmente! Bom, no fundo comungamos da mesma perspectiva: contra as quotas (e cotas? coitadas pá) e [ironicamente] crentes na tendência "dominante" quanto à [nossa] sociedade.

Tens textos interessantes aqui mas requerem algum tempo. Um abraço.

9:04 da manhã  
Blogger jpt said...

Espero que tenhas tempo para eles. Claro que nem todos têm a tua fantástica agilidade, ó lucky luke do postar

1:16 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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