domingo, abril 10, 2005

Este blog regressa ao Ma-Schamba original.

quarta-feira, abril 06, 2005

Ainda lusofonia

Eu repito-me no assunto. Esquece-se Macau? Ali também é lusofonia. Ou [Áfinal?!] o facto da China ser uma "civilização" o retira deste campo? Pois ali há um húmus outro? Superior ao dos outros lusófonos extra-ibéricos?

Esta também é uma pergunta sobre a especificidade lusófona.

E mais lusofonia

O WR lembra, a quem se esquece no calor da argumentação, que Timor-Leste é lusófono, "pois estamos a falar de realidades muito diversas até do ponto de vista identitário, mas que possuem de comum a língua, no que isso implica de atributo cultural essencial".

Esta é uma caracterização da lusofonia.

Achega à lusofonia

O WR discute a lusofonia. E coloca uma questão que dá pano para mangas, no seu desenvolvimento e quanto aos seus pressupostos: "O que fica no ar é a ideia de sabermos em que medida a comunhão desses obstáculos ao desenvolvimento, de natureza cultural, não resultará de uma História comum aos povos da lusofonia.".

Esta é uma pergunta sobre a especificidade lusófona.

Mais vale tarde

O Forum Comunitário aniversariou a semana passada. Passou-me. Fica a vénia, ainda que atrasada.

terça-feira, abril 05, 2005

42 minutos, na sala ao lado ouço que o telejornal mudou de assunto, já não o funeral do Papa.

- Inês, mudaram?
- Sim, futebol, é o Sporting!
(o meu, diga-se)

Urge demitir a direcção de informação da RTP. E nem é preciso argumentar.

A fé é bela

4 milhões de peregrinos esperados para o funeral. 20 000 pessoas por hora na Basílica, 400 000 por dia. Horas a fio, perigando a exaustão, esperando para a homenagem individual. Milhões em oração. A fé é bela!

Se fosse no Magrebe, no Paquistão, na Índia Hindu, noutro longe qualquer, o que se diria do fanatismo "daquela gente". Talvez não em público, mas pelo menos no resmungo do sofá, em família. Até com nojo.
RTP(-África), o telejornal, para saber algo do mundo (essa utopia). 37 minutos depois ainda os preparativos do funeral do Papa.

Urge demitir a direcção de informação. E nem é necessário argumentar.

Beatos

Tenho lido bastantes asneiras raivosas sobre o falecido Papa (esta merdosfera anda cada vez pior). Sim, também acho que o homem era supra-supersticioso, sim também me torço à Opus Dei [oops, ontem contra os maçons, hoje contra a obra, é melhor pedir outra nacionalidade]. Sim, também sorri, com arrghh, na rábula do 3º mistério [e aviso o crente que aqui passa, acho Fátima um espanto, um mau espanto, como é possível tudo aquilo?].

Mas nessa fúria anti-papa transparece muito ateu "não praticante" - as entranhas mexem-lhes à imagem da Igreja, nela se centram, a ela querem pertencer (moldar algo é pertencer, como é óbvio). Um bom filão para extremas unções. Arrependimentos à última hora, gemidos em busca do rebanho.

Paleio, paleio, gritos anti-cristo. Mas muito cagaço da solidão do ateu. Porra, vão à missa. Que rezem por uma nova Igreja Católica, à imagem deles, aos valores deles.

Cheínhos de causas. Bondosazinhas. Correctazinhas. Dedinhos espetadinhos, denunciadorzinhos.

Que beatos.

O mundo é pequeno

Incrível, encontro no Forever Pemba, cujo autor não conheço, velhas fotos minhas em Pemba.

(eu estou de chapéu)

segunda-feira, abril 04, 2005

Maldita Maçonaria

[Nestes tempos em que tanto blog grita impropérios contra o Papado, tal como se este fosse o Anti-Cristo...]

Abomino a Maçonaria, essa sociedade (ex)secreta, inimiga da sociedade aberta, superstição falsamente racionalista, vergonha e obstáculo do meu país. [Os custos que um post destes terá!, coisa kamikaze para um português do vulgo]. A la Custer, no asséptico de hoje, "o único maçónico bom é um maçónico arrumado" [adj. posto de lado; posto em ordem; guardado (Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora, 1995, 1ª edição)].

E este Blogger, com o seu constante

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transpira-se maçónico, uma maçonaria actualizada, tecnocratizada, com o tal Arquitecto substituído por um bando (politeísta) de engenheiros. Tremo de cada vez que isto me entra em casa, vero vírus via ecrã.

Cansei-me destes espíritos malfazejos, deste terror quase quotidiano decidi-me, antes esses leões esfaimados, as hienas traiçoeiras, vou sair savana fora, ainda que já estação seca, em fuga desta religião do terror anónimo. Tentarei, velho solitário, seguir os trilhos daquele meu rebanho. No qual, pelo menos, conhecemos pelo nome o nosso Deus. Coisas de rebanho civilizado.

Que o meu Oleiro me proteja, é o desejo. E a prece.

Jornalistas a olhar blogs

Mais um artigo sobre blogs. Mais um artigo de jornalista e/ou colunista, decerto. É incrível a quantidade de textos similares que vão brotando. Todos enfatizam o umbilical cordão entre jornalismo e bloguismo, e respectivas influências.

Claro que muita coisa não li, mas continua-me a surpreender, no meio da prosa sobre o bloguismo jornalístico continuo a não ler a dimensão crucial: a auto-edição, prosa ficcional, crónica, fotografia, colectânea, poesia, diário. Tudo isso passa ao lado das teclas jornalísticas.

O centro do mundo, são eles, os dos jornais e afins.

Tempos houve em que não eram notícia. Tempos há em que a notícia são eles?

Calma

Sobre a crítica recebida à lusofonia

Ali abaixo coloquei uma recensão de Igor Machado, decerto já antiga, que me foi enviada pelo leitor Lucas Tedeski, dedicada ao pequeno livro de Alfredo Margarido que antes amplamente citei. Não será particularmente interessante discutir uma recensão crítica de um livro. Mas já que tenho vindo a discutir "lusofonia", e tendo o referido texto aqui sido comentado de forma bastante viva, interessa-me deixar mais algo sobre a matéria.

1. No seio de uma recensão avisada ao texto há uma crítica que considero muito acertada: Margarido (talvez provocatoriamente) anuncia que o português do Brasil será o futuro (a "língua oficial") porque dotado de maior "eroticidade" - já quando li o livro, aquando da sua edição, este argumento me pareceu reprodutor das imagens preconceituosas (que alhures o autor procura desmascarar). Aqui o comentário de Igor Machado é muito esclarecido. Com efeito de onde se pode retirar o carácter "erótico" de qualquer língua ou da sua particular apropriação/construção?

[Lateralmente, acho que esta afirmação de Margarido poderá estar ligada, pese embora a estatura do autor (assisti em Maputo em 1998 a uma sua conferência absolutamente luminosa, um dos grandes momentos intelectuais de que disfrutei nos últimos anos), às perversões do modelo "ensaio". Confesso a minha incomodidade com este tipo de discursos, em que a recorrente densidade das argumentações não se apoia em veras fundamentações que ultrapassem a opinião autoral, o que recorrentemente enfraquece o conteúdo - há algum tempo ecoei, ligeiramente, o meu espanto com o recente e muito celebrado livro de José Gil que surge com paradoxos semelhantes. E daí ter esperado com interesse a discussão pública que o Bloguítica promoveu.]

2. Igor Machado sublinha a crítica à lusofonia por não ser acompanhada de uma política portuguesa de abertura de fronteiras aos imigrantes dos países ex-colónias, algo que corresponde à visão de Margarido. Para mim uma das dificuldades nesse livro, pois exigir uma automática relação entre uma visão "lusófona" e uma abertura de fronteiras, e denunciar a inexistência dessa correlação, é argumento frágil, e não fundamentado. Com efeito, não há nada nas formulações "lusófonas" que exija essa obrigatoriedade. Pode-se depreendê-la, mas nada a exige. Enfim, é uma denúncia opinativa, que decorre de uma pressuposição de quem denuncia. Nada mais. E portanto, neste caso, um argumento algo falho. Porque moralizante.

3. O interessante é que, neste caso, a argumentação do livro e o enfoque (voraz) da recensão foram ultrapassadas pela realidade posterior. Nisso demonstrando não só alguma fragilidade das críticas explícitas, como também, e fundamentalmente, da própria visão lusófona.

Com efeito a política de facilitação inter-migracional foi encetada pelo Estado português (o visado nas referidas críticas), com a sua proposta de "cidadania lusófona". A qual foi recusada por intervenção dos maiores Estados africanos da CPLP. Obviamente chumbada, diga-se, pois é incompreensível como a proposta chegou a ser apresentada na Reunião de Chefes de Estado (2001 ou 2002), uma falha clamorosa de avaliação do proponente.

Este facto é interessante não só por fazer estremecer a argumentação crítica ("denunciadora") de autor e de recenseador.

É interessante por dois motivos, esclarecedores:

- porque denota a inexistência de uma concepção universal e de uma vontade universal de "cidadania lusófona", de aceitação da "lusofonia";

- e, a um outro nível mais pragmático, denota também que essas críticas, apenas baseadas na ideia da vontade / urgência na imigração para Portugal, são extremamente contextualizadas - talvez fundamentais nas populações da Guiné-Bissau, de alguma brasileira dos anos 90 e talvez 00,no caso cabo-verdiano, porventura representadas/suportadas pelos seus governos. Mas não nos casos angolanos e moçambicanos, tanto ao nível da sua representação estatal, como da realidade dos seus movimentos migratórios efectivos ou ambicionados. Ou seja, o enfoque político dessas críticas está errado, porque absolutizado. Porque julgando as dinâmicas políticas como padronizadas, centradas num desejo de Portugal destino. Interessante como a crítica ao "lusocentrismo" lusófono é ela própria (na sua vertigem ideológica?) também "lusocentrada".

Já agora, deixe-se perceber que o anúncio dessa proposta de "Cidadania Lusófona", viabilizadora de uma maior abertura recíproca à emigração inter-CPLP, foi-me a mim (e decerto a tantos outros) espantosa. Como foi possível pensar que os Estados da África Austral iriam permitir nos tempos actuais a facilitação da putativa (ainda que muito pouco provável) emigração de sempre anunciado quase meio milhão de sul-africanos de origem portuguesa para Angola e Moçambique? Esta minha referência prende-se ainda, e sempre, à afirmação da "irrealidade" da leitura lusófona. Como diz Braga de Macedo no texto que abaixo cito: No imaginário lusófono, eles estão juntos na cultura e nos afectos: um é velho, outro é grande, os outros precisam de ajuda para crescer. Só que a história e geografia assim conotadas escondem o potencial de desenvolvimento porque não apreendem a governação. Penso que este exemplo é curial. No desvendar do irrealismo (anti-empírico) lusófono. Mas também no vazio das críticas meramente ideológicas, assim nada mais do que preconceituosas.

5. Decerto que por desconhecimento da realidade portuguesa o recenseador anuncia a "lusofonia" como discurso dos "intelectuais orgânicos" entre PS e extrema-direita (o que denota a sua filiação ideológica, diga-se). Mas está errado. É certo que a intelectualidade socialista (orgânica ou não) reproduziu à exaustão o discurso lusófono. Algo a que não poderá deixar de estar ligada alguma inércia histórica: o PS chegou ao poder aquando do lançamento da CPLP, difícil (mas teria sido tão lúcido!) seria associar a criação institucional ao depurar do discurso. Mas o mesmo não poderá ser dito à sua direita, apesar de alguns grandes nomes veículos do projecto lusófono. Diga-se que a direita portuguesa, e algum centro, ainda não cumpriu o seu "luto" (Margarido dixit) colonial, e daí a extrema dificuldade em assumirem um discurso lusófono, que é por essência uma retórica pós-colonial. E mais, à esquerda do PS, implícita ou explicitamente, o discurso lusófono sedimenta-se também, por via da aceitação da retórica, por incompreensão e irreflexão da sua natureza, por desconhecimento do seu eco, e por (ignaro) "companheirismo de caminhos". Em suma, contrariamente ao que Machado propõe, a lusofonia não é em Portugal um discurso de direita (e de um PS no poder). É (ou foi) um tema transversal, mas mais presente no polo esquerdo do discurso identitário / prospectivo nacional.

6. Finalmente, para além da recensão que Machado realiza, há, e bem mais do que implícito, um discurso que associa a crítica à lusofonia com uma crítica ao colonialismo. Como se esta fosse mera continuação, ou sua tentativa. Incapaz de compreender as diferenças históricas (porventura porque desconhecedor dos contextos) Machado transpira no seu texto um profundo anti-portuguesismo, um eco de colonizado.

Confesso que sempre me espanta o discurso anti-colonial brasileiro, em particular o afã anti-português, o qual decerto não é universal, mas não se restringe a alguns recenseadores (e até a pequenos comentadores in-blog): Gilberto Gil, ministro, dizia no ano passado em Maputo que os portugueses tinham morto milhões de índios no Brasil. Eu, contrariamente a Gil, já olhei para o mapa histórico do Brasil. Que eu saiba a efectiva penetração na floresta decorreu bem para além de 1820. (E continua...) Se fosse o músico significaria nada mais do que eco [tal e qual Caetano Veloso no seu ditirambo anti-português de há alguns anos atrás], mas um ministro brasileiro em África com este tipo de discurso não é inocente (ainda que o ministro seja Gil).

Por isso, cada vez que ouço o gemer brasileiro do sofrimento colonial lembro-me de um texto de Christian Geffray, Le lusotropicalisme comme discours de l’amour dans la servitude, no qual ele dá conta do seu espanto com a reclamação de uma identidade colonizada brasileira. Diz (convém ler o texto todo): "les peuples américains...ou du Brésil, etc. sont des peuples de colonisateurs sans colonisés. Ils occupent des territoires qui peuvent aujourd’hui encore abriter des populations que les ont précédés dans les temps sur le territoire, mas ces véritables "colonisés", si l’on peut dire, n’ont e n’auront jamais d’accès possible à la representation, sinon à la condition, de colonisés" (364).

Para um debate académico sobre construção de identidades esta é uma temática apaixonante. Mas numa deriva polemista, ou para sua utilização política, esta ladaínha brasileira é insuportável.
Esta é a minha vénia de ateu.

domingo, abril 03, 2005

Arquivo Lusofonia

O Lusofonia está a constituir um cuidado arquivo de textos bloguísticos e blogados relativos à "lusofonia". A acompanhar e a agradecer.
Babalaza: um novo blog sobre Moçambique.

sábado, abril 02, 2005

Desde há muito que vou visitando o Quase em Português de Lutz Bruckelmann, arquitecto alemão vivendo em Portugal. Ao princípio fui agradado pelo bom gosto na escolha das suas playmates, pelo saber duvidar dos textos e pela ponta de suave ironia que também se apresentava (veja-se o próprio nome), coisas próprias da utopia de procurar saber. Tudo isso potenciado pela minha simpatia por encontrar um meteco, tal qual eu. Um meteco livre, já o referi (na minha brincadeira "Gandulas") - e acho que a existência de um blog como o Quase em Português é uma excelência para o meu país.

Com o tempo passou-me essa tal solidariedade de meteco. Pois foi-se tornando desnecessária como potenciadora. É que o Quase em Português passou, por si só, a ser o meu blog preferido, e hoje em dia divirto-me mais comentando (n)os textos do Lutz do que arroteando esta machamba.

Ali em baixo (sem link, tal a parvoíce) um ditoso "anonymous" bota comentário invectivando um anterior comentário que o Lutz aqui colocou. Por todas as razões (conteúdo e objecto) é uma imbecilidade. E ser invectivado por um imbecil não suja. Mas como foi em minha casa irrita-me. Suca, anonymous, suca.

sexta-feira, abril 01, 2005

Abaixo referi o turbo-leituras, a propósito de uma referência ao Machamba n' O Acidental - foi uma enxurrada de visitas.

Um dos meus turbo-leituras foi o Luís Ene, em tempos de andarmos a mostrar a cara ["dar a cara"?]. Agora publicou o Mil e Uma Pequenas Histórias (Leiturascom.net, 2005) - se fores à technorati lê lá este abraço.

E matou o Ene Coisas, que agonizava devagarinho há algum tempo [suicídio assistido?, eutanásia?]. Vai-me fazer falta aquele turbo-leitor. Mas como me especializei em blogopáscoas acredito na ressureição. Até já!

Política portuguesa

Manuel Maria Carrilho é candidato a presidente da Câmara Municipal da minha Lisboa. Em vários blogs (clic-clic) leio referências jocosas à sua mulher, ao seu casamento. Deselegante? Não é isso.

Tentar menosprezar um homem porque é casado com uma mulher verdadeiramente bonita não é uma deselegância. É uma total imbecilidade. Um atraso mental.

O ridículo não mata, claro. Esmaga. E, obviamente, não aparece no espelho. Dos ridículos.
Pois é, apresentei-me algo desenfiado, laivos de discrição burguesa, se calhar. [Como se houvesse alguma discrição neste histrionismo bloguístico, vã vaidade...]

Mas se imaginasse a quantidade de leitores que uma singela referência representa [o tracking, o tracking...] tinha começado por me apresentar por aí, até de chapéu na mão.

Sois um turbo-leituras de primeira, é o que lhe digo. A agradecer.

E muitos parabéns, revista e livro: lembrai-vos que sois apenas humanos.

Pequeno Quotidiano

Uma sala de aulas pejada de moscas, nunca tal me tinha acontecido. Elas rodeando-me, amoscando-me.

E assim, nesta manhã, enquanto as tentava espantar, regressei aquele menino até tímido, inseguro. Convicto de que os alunos, vendo-me em tais más-moscas, não podiam deixar de pensar "que merda de professor"...
Para quem não tem acompanhado: Mia Couto no Ideias Para Debate [e neste último pequeno texto em cúmulo de elegância].